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“A ASA se soma com o conjunto das forças para denunciar os efeitos do golpe”, afirma Alexandre Pires

11/06/2018

por Kátia Rejane

Alexandre Henrique Pires, coordenador geral do Centro Sabiá e representante de Pernambuco na coordenação da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), é o novo presidente da Associação Programa Um Milhão de Cisternas para o Semiárido (AP1MC), organização social que, desde 2002, gere física e financeira projetos de convivência com o Semiárido, ação que politicamente é gerida pela ASA. Após assembleia da organização, que definiu seu nome para a presidência, Alexandre concedeu entrevista para nosso programa de rádio, Agricultura Familiar em Debate, que vai ao ar todos os sábados às 7h, na Rádio Voluntários da Pátria, e que reproduzimos abaixo. 

CAATINGA – Quais as expectativas da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) frente ao atual contexto no País?

Alexandre Pires – As perspectivas da ASA frente a esse contexto que a gente vive no Brasil são perspectivas de luta. Somados juntos a outros movimentos sociais, como é o caso da Via Campesina, da Contag [Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], das forças populares e democráticas, que tem se somado a Frente Brasil Popular. Para juntos podermos denunciar para a sociedade brasileira os retrocessos que estamos tendo no Semiárido, como o redirecionamento de recursos públicos antes destinados a programas sociais, e agora destinados ao apoio ao setor empresarial e ao agronegócio e para pagar a dívida pública de bancos. Então, para nós esse momento tem sido muito difícil e certamente a ASA está se somando com o conjunto das forças para denunciar os efeitos do golpe.

CAATINGA – E você, como sente assumindo à presidência da Associação Programa Um Milão de Cisternas (AP1MC), em um momento de grandes desafios para o Brasil e, principalmente, para o Semiárido?

Alexandre Pires - Assumir à presidência da AP1MC neste momento é um grande desafio. Porque certamente este é um momento, como disse a pouco, que o Estado brasileiro retira prioridades da ação nas políticas sociais, na ação que a ASA faz, de convivência com o Semiárido, que é um trabalho de assessoria técnica e implementação de tecnologias sociais de captação de água das chuvas., e isso certamente diminui significativamente. E isso é muito ruim para a ação da ASA como um todo, para a ação da AP1MC. Ao mesmo tempo, eu me sinto chamado a esse dever, chamado a contribuir e colaborar com a rede ASA, assumindo essa tarefa de presidência da AP1MC. Nós saímos ontem (dias 07 e 08/06) da assembleia da AP1MC, que buscou discutir e traçar rumos para a ASA nesse momento histórico em que a gente vive, nesse momento futuro, e reafirmar a sua unidade, reafirmar o diálogo com os movimentos sociais. E estar na presidência da AP1MC significa zelar e estar atentos a esses rumos que foram traçados nessa assembleia e que, certamente, vamos buscar implementar nesses próximos anos. 

CAATINGA – Que mensagem você deixa ao povo do Sertão do Araripe de Pernambuco?

Alexandre Pires – O que deixo e mensagem para as pessoas que vivem no Araripe, para o povo do Araripe, é uma mensagem de luta. Existem vários movimentos e forças políticas que nesse momento precisam construir a unidade para enfrentar esse momento. Certamente no Araripe tem vários coletivos, como é o caso da Rede de Agricultores Experimentadores do Araripe, como é o caso do Fotear [Fórum Territorial do Araripe], do Movimento de Mulheres, que também tem uma força muito grande na região do Araripe, dos processos de organização das juventudes, que tem uma força também muito grande, do Movimento Sindical Rural. Eu acredito que essas diversas iniciativas precisam sentar à mesa, fortalecer cada vez mais as suas relações, porque o inimigo é um só. O inimigo é o capital, o inimigo é a violência que é praticada contra as mulheres, contra a população LGBT, a violência que é praticada contra a população negra, contra a população pobre do País. E acho que a gente precisa neste momento se unir em defesa da classe trabalhadora, se unir em defesa dos povos do e a ASA tem se colocado e se afirmado nesse espaço. Certamente a expressão da ASA no Araripe através das organizações, como o CAATINGA, o Chapada, o Centro Nordestino de Medicina Popular, a Agrodóia, e tantos outros coletivos que compõem a rede ASA no território, certamente, é uma força que ajuda nessa unidade e nessa construção para enfrentar este momento. 


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