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Plenária levanta as diversas estratégias de resistência dos povos e comunidades tradicionais do Semiárido

14/02/2019

                                                                                                                                Por Verônica Pragana - Asacom

No centro da roda: Quais as estratégias que orientam a nossa resistência? | Foto: Beatriz Brasil/Arquivo Asacom

Uma grande roda de conversa sobre a realidade dos povos e comunidades tradicionais do Semiárido a partir de uma diversidade de sujeitos: descendentes de quilombolas, representantes de comunidades pesqueiras e extrativistas, como as quebradeiras de coco babaçu do Maranhão, indígena, agricultores/as agroecológicos, mulheres negras, representantes de universidade e centro de pesquisa públicos, técnicos de organizações da sociedade civil que atuam no Semiárido, guardiões e guardiãs das sementes crioulas e membros das coordenações estaduais e nacional da ASA.

Foi assim que aconteceu uma das três plenárias da tarde do primeiro dia do V Encontro de Agricultoras e Agricultores Experimentadores (V EAE). As outras duas plenárias também foram dedicadas aos sujeitos, que apesar de serem muitos ainda são minoria nos espaços de poder político no Brasil - as mulheres e a juventude.

Na plenária dos povos e comunidades tradicionais, a questão que guiou as falas da plenária foi: quais as estratégias que orientam a nossa resistência?

Um relato e outro traziam à tona uma diversidade de formas de enfrentar as ofensivas ao modo de ser e viver destas populações: a organização comunitária e o fortalecimento das bases, o resgate das tradições culturais dos povos, a conservação e multiplicação das sementes crioulas, a auto-organização das mulheres, a participação em espaços de controle de políticas públicas, o autorreconhecimento da identidade das comunidades, as parcerias com atores diversos como centros de pesquisa e estudo, a comunicação popular, o acesso à água, o fortalecimento da agroecologia, a defesa da educação contextualizada às diversas realidades destas comunidades, além de outras tantas estratégias.

A pauta da educação ocupou muito espaço nas falas. “A gente precisa defender uma educação nas comunidades que a gente se veja”. “As tecnologias são estratégicas para chegar nos povos, mas a identidade precisa ser melhor trabalhada”. “Nas nossas comunidades, nossa história não é contada”. “É extremamente importante que as/os professoras/es sejam da comunidade, pois assim haverá a união do conhecimento técnico ao prático”.

Uma das principais questões que motiva a preocupação com o futuro da educação para os povos indígenas e as comunidades tradicionais são as mudanças na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que passam por cima das legislação que garante especificidades no processo de ensino-aprendizagem destes povos. Outra ameaça bastante comentada é o processo acelerado de fechamento das escolas rurais. “Só no Crato, nos últimos tempos, foram fechadas 10 escolas”. Relatos semelhantes vinham de pessoas de Pernambuco, Paraíba e tantos outros estados.

Apesar do reconhecimento dos desafios atuais, no salão, havia uma forte consciência sobre a resistência que esse momento histórico pede e também da necessidade de cuidado mútuo. Além disso, os relatos davam conta do intenso movimento que há nas comunidades e povos tradicionais que não abrem mão dos direitos conquistados nos últimos anos.


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