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CARTA DE CALDEIRÃO GRANDE DO PIAUÍ

09/11/2019

   CARTA DE CALDEIRÃO GRANDE DO PIAUÍ      

Nos dias 25 e 26 de outubro de 2019, em Caldeirão Grande do Piauí, nós agricultores e agricultoras realizamos o VI Encontro da Rede de Agricultores e Agricultoras Experimentadoras do Araripe – Rede Araripe, junto com organizações da sociedade civil e poder público da mesorregião Sertão do Araripe (CE, PE e PI). Apresentamos a presente Carta Política, com o objetivo de que seja instrumento de reflexão e ação em nossas comunidades e de diálogo com gestores e parlamentares municipais, estaduais e federais, inclusive, no processo eleitoral de 2020.

O objetivo central do Encontro foi analisar o contexto, discutir e propor políticas de fortalecimento da agricultura familiar da mesorregião do Araripe, a partir de nossas experiências em agroecologia e convivência com o semiárido. Valorizando as mulheres, as juventudes, os povos e comunidades tradicionais do Araripe e de todas as famílias camponesas do país que produzem o alimento do povo brasileiro e geram a dois terços das exportações da agricultura do Brasil.

O atual momento do Brasil é preocupante com o avanço do agronegócio, exploração irracional dos recursos naturais, destruição da Amazônia, da Caatinga e de outros biomas brasileiros, poluição dos mares, uso indiscriminado de venenos nos solos, nas águas e nos alimentos, mineração de forma predatória, especulação financeira e redução das políticas e direitos das famílias do campo e da cidade, afetando a qualidade de vida de toda população, devido aos grandes impactos sociais, econômicos, ambientais e cultura no Brasil e para todo planeta.

Já sentimos os efeitos desse modelo, que coloca em risco nossos direitos básicos essenciais à vida, aumenta a pobreza e nos coloca diante do desafio de enfrentar e resistir, reafirmando o projeto de sociedade que defendemos: convivência digna com o semiárido, agroecologia, educação contextualizada, relações de gênero equilibradas (combatendo o machismo, as injustiças e violência contra as mulheres), participação efetiva das juventudes, relações dignas e justas entre o campo e a cidade. Cuidado com as plantas medicinais, a água, os solos, a Caatinga e outros bens naturais e comuns, saberes e valores que dão vida e encoraja nosso povo a viver em condições dignas e cidadãs.

Nosso caminho sempre foi o do diálogo, da resistência, da cooperação e da luta popular, visando à construção de políticas de estado a partir das realidades especificas do semiárido. Consideramos como políticas prioritárias: PNAE, PAA, ATER, Agroecologia e Produção Orgânica, Educação Contextualizada do Campo, Água para o Consumo Humano e para Produção, Beneficiamento da Produção, Comercialização justa, Certificação, Sementes e Raças Crioulas. Nossa base é a agroecologia, como mobilizadora de um processo de educação do campo que promova o pleno exercício da cidadania e da compreensão do mundo do trabalho, complementada por um sistema educacional voltado para a realidade do campo. Neste sentido, assumimos o compromisso de criar um Grupo de Trabalho (GT) de Educação do Campo na dinâmica da Rede Araripe, envolvendo diferentes organizações sociais e instituições públicas para refletir sobre as possibilidades de construção de um sistema de escolas do Campo no Araripe, que tenham seus currículos, planos e concepções pedagógicas construídas a partir nossa realidade.

Seguiremos firmes e unidos pela concretização de políticas públicas que fortaleçam a agricultura familiar agroecológica, proporcionem dignidade aos povos do semiárido, valorizem e respeitem nossos conhecimentos e nossas experiências concretas.

 

“A vida é a arte do Encontro...” (Vinicius de Moraes).

 

Caldeirão Grande do Piauí/PI, 26 de outubro de 2019.


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