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Reutilizar para agroflorestar

14/06/2019

Ação de tratamento e reutilização de águas cinzas alimenta agroflorestas na região semiárida. 

por Catarina de Angola

Há cerca de um ano, uma iniciativa pioneira em Pernambuco iniciou no Semiárido do estado. A partir do projeto “Terra de Vidas: sistemas agroflorestais e de reuso de água cinza para conviver com o semiárido e enfrentar as mudanças do clima”, ação das organizações CAATINGA e Centro Sabiá, com apoio da Cáritas Suíça, estão sendo implantados nos territórios do Sertão do Araripe e do Pajeú de Pernambuco cem sistemas de reuso de águas cinza (RAC) e sistemas agroflorestais (SAFs), em cinco municípios e 13 comunidades rurais. 

O projeto é desenvolvido junto a cem famílias agricultoras, inseridas em áreas susceptíveis à desertificação, que tem como prioridade básica a garantia de água tanto para o consumo humano e o consumo animal, como para uso doméstico e produtivo. O sistema de reuso de água cinza (RAC) é um conjunto de equipamentos que fazem o de reaproveitamento da água já utilizada na casa (água cinza) e que, após o processo, podem ser reutilizadas em diversas atividades produtivas. 

A iniciativa, então, possibilita o tratamento e reutilização da água nos agroecosistemas familiares. E essa água contribui para a produção de alimentos, forragens para animais e recuperação de matas nativas com a produção em sistemas agroflorestais e plantio de mudas de espécies nativas. E a reutilização da água ainda possibilita a recuperação de áreas degradadas, contribuindo para a diminuição dos efeitos das mudanças do clima, e no combate à desertificação.  

O projeto ainda com a parceria da Embrapa Semiárido e do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Práticas Agroecológicas no Semiárido (Neppas), da Unidade Acadêmica de Serra Talhada da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UAST/UFRPE) que tem desenvolvido um estudo sobre a viabilidade dos sistemas de reuso nos SAFs. 

“Ao manejarem essas tecnologias e praticarem com a agricultura, as mulheres e os agricultores e agricultoras percebem que, além das mudanças nas práticas de produção, é preciso mudança de vida seja nas relações sociais ou com a natureza”, explica Giovanne Xenofonte, do CAATINGA. Isso porque toda ação do projeto integra uma ação educativa e sensibilizadora baseada na convivência com o Semiárido. Reforçando a implantação de agroflorestas na região semiárida, contribuindo assim, também com a segurança alimentar e nutricional das famílias. 


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