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Precisamos falar sobre a saúde das mulheres na pandemia

07/06/2021

A pandemia tem significado o agravamento das desigualdades para as mulheres e as agricultoras familiares são as mais invisibilizadas. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego entre as mulheres bateu o recorde de 17,9%, no último trimestre. Mas, quando é feito um recorte sobre aquelas que moram no meio rural, as pesquisas ainda são escassas.

Por esse e outros motivos, é ainda mais necessário falar sobre a saúde das mulheres neste momento pandêmico. Essa estatística de desemprego foi a maior dos últimos trinta anos, desde que a Pnad passou a ser feita. E, no mesmo passo, a realidade do campo aponta mais dificuldades para quem já está sobrecarregada ede trabalho doméstico e tem sido afetada diretamente com os cortes nas políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

De acordo com o estudo “Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil”, publicado em abril pela Universidade Livre de Berlim, três em cada quatro domicílios localizados no meio rural estavam em situação de insegurança alimentar, entre agosto e dezembro de 2020.

São muitas as faces da pandemia para as mulheres e, diante desta conjuntura que impacta diretamente as suas vidas, é importante compreender como cuidar da saúde. O CAATINGA traz dicas de autocuidado dadas por três profissionais da área. Confira:

1.    É importante realizar os exames de rotina pelo menos uma vez ao ano:

“Não tenham medo, não tenham vergonha de procurar um profissional de saúde. E sim tenham medo de não se cuidar, de estar sentindo alguma coisa e estar escondendo, de estar se baseando no que a vizinha, a prima ou a amiga passaram. Cada uma de nós é diferente, cada uma de nós tem a sua particularidade e deve ter seu exame físico realizado por um profissional apto para isso, deve ter as suas características observadas, sua história familiar, sua história pessoal e a partir daí ter um tratamento direcionado. Nó somos ímpares, nós somos maravilhosas e nós merecemos respeito e cuidado. Esse cuidado começa a partir de nós. Às vezes, a gente pensa muito em cuidar da família, em não ter que se ausentar do trabalho, dos afazeres de casa porque tem que cuidar dos outros. Mas nós temos que tirar pelo menos uma vez no ano para olhar para si”.

(Gildevania Melo – Ginecologista no município de Ouricuri)

2.    Buscar o que traz o bem-estar deve ser prioridade:

“Cuide da sua saúde mental e diminua essa carga ou essa sobrecarga de trabalho excessivo. Não queira fazer tudo ao mesmo tempo, não dá para sermos essa super profissional, supermãe, super esposa e super tudo ao mesmo tempo. Vamos aos poucos, trabalhando e exercendo as nossas funções com calma. Admita que é humana e precisa de ajuda! Peça ajuda ao filho, ao esposo, a alguém que você possa contar neste momento para lhe auxiliar mesmo que seja em uma tarefa doméstica. Um lava a louça e o outro seca, você se sente um pouco protegida, mais amada e menos sobrecarregada. Cuidado com o excesso de informação! São muitas as informações que estão chegando para nós e não damos conta de aprender e gerenciar tantas informações ao mesmo tempo. Fiquemos com aquelas mais significativas paras as nossas vidas. Procure fazer atividades que propiciem o seu bem-estar”

(Cintia Aguiar – Psicanalista no município de Granito) 

3.    Há cuidados que podemos ter em casa:

“Se sabemos que o câncer tem a influência de muitos fatores de risco, como por exemplo, uma alimentação errada, o uso de álcool, de cigarro e comportamentos de má higiene, tem coisas que podemos fazer em casa como estar sempre tentando variar a alimentação, evitar coisas enlatadas e alimentos industrializados. Buscar sempre uma alimentação mais saudável e mais natural possível. Diante de tanta dificuldade social que nós temos, sempre priorizar os alimentos mais saudáveis quando der. Outra coisa é beber bastante água, ela é muito importante e faz parte da regulação de todo nosso sistema. É extremamente importante o corpo estar bem hidratado. Ter cuidados na relação sexual é um fator muito importante, se higienizar sempre antes a relação sexual também. Se for possível o uso do preservativo, ele ainda é o melhor método para evitar as doenças sexualmente transmissíveis”.

(Micaela Costa – Enfermeira no município de Ouricuri)

Para ouvir esses e outros relatos na íntegra, você pode acessar o programa Agricultura Familiar em Debate, transmitido nos dias 29 e 30 de maio: https://caatinga.org.br/audio/luta-pela-saude-das-mulheres




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